Cuidados prestados por Benzedeiras – Um olhar transcultural
Autora: Fabiana Marques Sousa
A saúde é entendida a partir de questões
físicas, psíquicas, sociais, culturais e econômicas, recolocando os indivíduos
em sua relação com o coletivo.
Compreender o cuidado é conhecer símbolos, conceitos, percepções e
transmissões de uma sabedoria comunitária, ou seja, seu repertório cuidativo,
que é composto de experiências acumuladas e transmitidas através de gerações
anteriores. A benzeção (ou benzimento) se insere neste campo tradicional de
conhecimento sobre cura e cuidado a saúde. A especificidade do conhecimento de
benzedeiras se relaciona às formas singulares de diagnóstico, classificação de
doenças (físicas, emocionais e espirituais) e tratamento-cura das enfermidades
e males apresentados pelos sujeitos.
As benzedeiras sofreram discriminação com o estabelecimento da medicina oficial, sendo acusadas de exercer a medicina de forma ilegal. No entanto, essas mulheres resistiram durante gerações, tornando a ocupar um espaço importante na comunidade. Suas ações são empregues diretamente na realidade de seus grupos sociais e realizam o seu oficio voltado a sua própria comunidade. Essas mulheres tratam de doenças de cunho espiritual, e por saberem da existência de doenças de cunho físico, elas entendem a necessidade de conhecimentos nas duas áreas da saúde. Por muitas vezes saberem que a desordem é física e não espiritual, os seus clientes são aconselhados a procurarem os serviços de saúde. Portanto, é perceptível a riqueza que este campo de saúde popular possui, agregando de forma ampliada a assistência do enfermagem ao indivíduo/família/comunidade.
As benzedeiras sofreram discriminação com o estabelecimento da medicina oficial, sendo acusadas de exercer a medicina de forma ilegal. No entanto, essas mulheres resistiram durante gerações, tornando a ocupar um espaço importante na comunidade. Suas ações são empregues diretamente na realidade de seus grupos sociais e realizam o seu oficio voltado a sua própria comunidade. Essas mulheres tratam de doenças de cunho espiritual, e por saberem da existência de doenças de cunho físico, elas entendem a necessidade de conhecimentos nas duas áreas da saúde. Por muitas vezes saberem que a desordem é física e não espiritual, os seus clientes são aconselhados a procurarem os serviços de saúde. Portanto, é perceptível a riqueza que este campo de saúde popular possui, agregando de forma ampliada a assistência do enfermagem ao indivíduo/família/comunidade.
Torna-se necessário dizer que os valores e
saberes das benzedeiras, permitirão transcender o bem-estar da população. A
troca de experiência é necessário para o alcance de um cuidado qualificado e
humanizado. Essa vinculação entre os sistemas oficiais (biomédico) e o popular
(benzedeiras) deveria ser promovida, caso se evidencie o objetivo de ampliação
dos conhecimentos e com o intuito de conhecer melhor a realidade de vida e
saúde da comunidade.
Nessa perspectiva, a etnoenfermagem formulada
pela Teorista Leninger busca não invalidar outros conhecimentos, mas sim
relativiza-los, entendendo que outros saberes podem ser abordados no que diz
respeito ao processo saúde-doença e até mesmo, ao processo de cura ou morte.
Por estarem mais presentes na comunidade, esses saberes populares podem ser de
extrema relevância para enfermagem, ajudando no processo de educação
comunitária e favorecendo uma aproximação maior dos profissionais com a sua
comunidade.
É crucial que o profissional esteja atento a esses determinantes e saiba compreender a sua importância.
‘’Todas as intenções num só propósito de bem dizer’’ – Escolas de Almas Benzedeiras – DF.
REFERÊNCIAS
1. ROCHA, L.D.S. ‘’Eu te benzo, Eu Te Curo’’: Saberes e Práticas de Benzedeiras de Maceió-AL. Universidade Federal de Alagoas. Alagoas, 2014. Disponível em: http://www.repositorio.ufal.br/bitstream/riufal/1495/1/Eu%20te%20benzo%2C%20eu%20te%20curo%20%20saberes%20e%20pr%C3%A1ticas%20de%20benzedeiras%20de%20Macei%C3%B3AL.pdf. Acesso em: 15 jul. 2020.
2. GUALDA, D.M.R.; HOGA, L.A.K. Estudo sobre teoria transcultural de Leininger. Rev. Esc. Enf. USP, v. 26, n. 1, p. 75-86, mar. 1992. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v26n1/0080-6234-reeusp-26-1-075.pdf. Acesso em: 20 jul. 2020.
3. ROCHA L.S; ROZENDO C.A. Os sistemas de saúde popular e oficial sob a ótica de benzedeiras. Rev. Enferm. UFPE online. Recife, 2015. Acesso em: 25 jul. 2020.
É crucial que o profissional esteja atento a esses determinantes e saiba compreender a sua importância.
‘’Todas as intenções num só propósito de bem dizer’’ – Escolas de Almas Benzedeiras – DF.
REFERÊNCIAS
1. ROCHA, L.D.S. ‘’Eu te benzo, Eu Te Curo’’: Saberes e Práticas de Benzedeiras de Maceió-AL. Universidade Federal de Alagoas. Alagoas, 2014. Disponível em: http://www.repositorio.ufal.br/bitstream/riufal/1495/1/Eu%20te%20benzo%2C%20eu%20te%20curo%20%20saberes%20e%20pr%C3%A1ticas%20de%20benzedeiras%20de%20Macei%C3%B3AL.pdf. Acesso em: 15 jul. 2020.
2. GUALDA, D.M.R.; HOGA, L.A.K. Estudo sobre teoria transcultural de Leininger. Rev. Esc. Enf. USP, v. 26, n. 1, p. 75-86, mar. 1992. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v26n1/0080-6234-reeusp-26-1-075.pdf. Acesso em: 20 jul. 2020.
3. ROCHA L.S; ROZENDO C.A. Os sistemas de saúde popular e oficial sob a ótica de benzedeiras. Rev. Enferm. UFPE online. Recife, 2015. Acesso em: 25 jul. 2020.
Amei essa abordagem do tema, traz a perspectiva de uma saúde mais integrada como o sistema brasileiro tanto prega.
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