O Antirracismo e a Covid-19: Uma perspectiva racial e social sobre Covid-19
Autor: George Caetano
Falamos diariamente sobre a luta global contra o
novo e inesperado SARS-CoV-2 (novo coronavírus), no âmbito científico, social,
estrutural e até econômico. Temos passado por situações atípicas que nos fazem,
inevitavelmente, pensar no futuro com um olhar mais cauteloso, capaz de aflorar
sentimentos empáticos nesse momento de angústia. Mas até onde essa comoção
consegue chegar?
Dados do Ministério da Saúde sobre a Covid-19, que
levam em consideração o fator cor/raça,
mostram que a doença vem apresentando mais mortalidade entre pessoas
negras. De acordo a apuração realizada pelo Folha de São Paulo, pretos e pardos
são 1 em cada 4 hospitalizados por Covid-19 e 1 em cada 3 mortos. Significa
dizer que, mesmo não tendo o maior número em contaminação, os pretos e pardos
são afetados por maior letalidade em regiões periféricas/carentes.
Biologicamente
o vírus não possui nenhuma capacidade de seleção que tome por base critérios
raciais. Logo, as estatísticas de
letalidade apresentam um problema também estrutural e social, convidando à
reflexão acerca do acesso da população preta/parda, majoritariamente
periférica, aos serviços de saúde, como os serviços de emergência e atenção
básica, mas também aos programas e ações de prevenção ao Covid19.
O Portal Terra, em reportagem sobre os desafios da
periferia diante da pandemia de Covid19, aponta as dificuldades das comunidades,
historicamente marginalizadas no Brasil, em seguirem as recomendações das
autoridades sanitárias/médicas que vão desde a alimentação de média/alta
nutrição à aquisição de máscaras e álcool gel, sem mencionar a proibição de
atividades informais, sendo esta a principal fonte de renda das comunidades
periféricas. Dessa forma, o grupo de risco não está restrito somente ao
histórico clínico ou faixa etária, mas também ao cenário socioeconômico do
indivíduo.
Enquanto cresce a busca por uma vacina ou cura para
o Covid19, ataques estruturais alvejam populações em situação de
vulnerabilidade, como a preta/parda, e tramam planos perversos, como usar o
continente Africano como zona de testes farmacêuticos, sendo refutado pela
Organização Mundial da Saúde (OMS). Mais que nunca é necessário um
posicionamento antirracista que sistematize ações de valorização da vida
humana.
Nesse sentido, é coerente refletir acerca da cor que
essa pandemia tem tomado. E que não se pense que há passividade, pois, para
cada plano genocida e negligente, há uma resposta de resistência, empatia,
sororidade e união por parte dos grupos raciais e tantos outros que queiram
entregar à própria sorte durante, e após, a pandemia.
Leia mais em:
https://www.terra.com.br/noticias/coronavirus/os-desafios-da-periferia-ou-morrer-defome-ou-de-covid-19,2678be8828f42323bc6ac5b3bac6fd2d7iz4fhht.html
https://www.nbcnews.com/news/nbcblk/french-doctor-apologizes-comments-testing-covid19-vaccine-africa-prompting-n1177991

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