Depressão
Depressão
Autora: Natália Camargo
O que é depressão?
A depressão é uma doença psiquiátrica que afeta o emocional dos indivíduos, caracterizada pela mudança de comportamento, como a ausência de prazer em atividades que antes eram prazerosas e também oscilação de humor e pensamentos, que podem resultar em comportamentos e atos suicidas. Sabe-se que os sintomas da doença são provocados por desequilíbrios cerebrais, com a diminuição de neurotransmissores como a serotonina, hormônio ligado à sensação de prazer e bem-estar.
A assistência médica é essencial para diagnosticar, acompanhar a evolução e tratar a doença.
A literatura médica e científica mundial aponta que a depressão incita alterações fisiológicas no corpo, sendo porta de entrada para outras doenças se desenvolverem e podendo desencadear por exemplo, doenças cardiovasculares como infarto, AVC, Hipertensão Arterial e alterações como queda no sistema imunológico, aumentando a possibilidade de problemas inflamatórios e infecciosos.
Com o passar dos últimos anos, tem surgido cada vez mais casos de depressão, popularmente citada como o ´´Mal do século´´ pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Caracterizada por sua alta morbidade, é o transtorno psiquiátrico da atualidade e pode atingir pessoas de qualquer faixa etária e sexo. Estima-se que uma em cada cinco pessoas no mundo apresentam problemas relacionados a depressão em algum momento da vida.
Em estudos, Denise Razzouk (2016, p.846) afirma que a depressão é a terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil. O país lidera o ranking de prevalência de depressão entre as nações subdesenvolvidas, isso significa que 20 a 36 milhões de pessoas são afetadas – o equivalente a 10% das pessoas com depressão no mundo! Na prática, a depressão e a ansiedade são responsáveis por uma perda anual de produtividade correspondente a mais de um trilhão de dólares. As necessidades apresentadas pela população não são satisfeitas, principalmente nos países de baixa e média renda pois o investimento no tratamento de transtornos mentais é desproporcional: é menor do que 1% do orçamento da Saúde e apenas 20 a 40% das pessoas recebem tratamento.
Fatores de risco
- Histórico familiar;
- Transtornos psiquiátricos correlatos;
- Estresse crônico;
- Ansiedade crônica;
- Disfunções hormonais;
- Excesso de peso;
- Sedentarismo e dieta desregrada;
- Abuso de substâncias e vícios (cigarro, álcool e drogas ilícitas);
- Uso excessivo de internet e redes sociais;
- Traumas físicos ou psicológicos;
- Pancadas na cabeça;
- Problemas cardíacos;
- Enxaqueca crônica;
- Doenças físicas crônicas;
- Desemprego;
- Conflitos interpessoais;
- Situações de stress pessoal, familiar ou psicossocial ( morte de familiar próximo, separação conjugal, quebra de relação afetiva);
- O parto pode precipitar o episódio depressivo (depressão pós-parto).
Sinais e sintomas
Sinais e sintomas mais comuns:
- Mudanças de humor - Humor depressivo (tristeza profunda), irritabilidade,
- ansiedade e angústia;
- Constipação;
- Ideação suicida;
- Fadiga ou diminuição da energia: Desânimo, cansaço fácil, necessidade de maior
- esforço para fazer as coisas;
- Perda do gosto de viver: Diminuição ou incapacidade de sentir alegria e prazer;
- Diminuição do campo de interesses, falta de motivação, desânimo e apatia;
- Sentimentos de medo, insegurança, desesperança e desamparo;
- Ideias frequentes e desproporcionais de culpa, baixa auto-estima, sensação de
- inutilidade, ruína e fracasso (sentimento de desvalorização);
- Pessimismo: Interpretação distorcida e negativa da realidade;
- Alterações cognitivas: Dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e
- esquecimento;
- Diminuição do desempenho sexual;
- Perda ou aumento do apetite e do peso;
- Alterações do sono: Insônia ou despertar matinal precoce;
- Dores e outros sintomas físicos não justificados por problemas médicos;
Esses sinais e sintomas podem se manifestar isolados ou somatizados. Em cada faixa etária, podem apresentar algumas características que as diferenciam das demais idades, como por exemplo nos idosos, onde predominam: Ansiedade, agitação e irritabilidade com comportamentos impulsivo-agressivos e/ou aditivos (abuso de álcool, principalmente) e recusa de alimentos.
Qual(is) a(s) causa(s) da depressão?
Pesquisas demonstram que alterações químicas no cérebro do indivíduo deprimido, principalmente nos neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina), substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células levam ao quadro de depressão.
Fatores psicológicos e sociais podem ser consequências, e não necessariamente causas da depressão. O estresse é um fator que pode precipitar a depressão em pessoas com predisposição, provavelmente de cunho genético.
Como diferenciar tristeza de depressão?
- Tristeza tem uma origem: A pessoa sabe que está triste e o motivo, enquanto a depressão é
- uma tristeza profunda e muitas vezes sem conteúdo ou motivo aparente.
- Mesmo se algo maravilhoso estiver acontecendo, a pessoa pode continuar triste.
- A pessoa deprimida tem pensamentos suicidas.
- Quem está triste costuma ter pensamentos repetitivos sobre a razão da tristeza.
- Quando deprimida, a pessoa sente, pelo menos, duas semanas de uma tristeza profunda e contínua.
Como prevenir a depressão?
Cuidar da saúde mental e do corpo através de uma rotina baseada em alimentação saudável e prática de atividades físicas é a melhor forma de prevenir quadros depressivos.
Saber lidar com o estresse e compartilhar os problemas com amigos ou familiares é outra alternativa! Caso a necessidade de assistência seja maior, o ideal é buscar ajuda com um profissional capacitado!
Algumas atividades de lazer como a Yoga, Jogos (futebol, basquete…), viajar e outros hobbies podem ajudar na produção e liberação de substâncias e ´´hormônios da felicidade´´ (Endorfina, a Serotonina, a Dopamina e os dois principais a Oxitocina e a Anandamida). Essas práticas mantém a cabeça ativa e a ocupam com pensamentos positivos.
Estudos demonstram que receitas ou dietas com azeite de oliva, peixes, frutas, verduras e oleaginosas (nozes, castanhas etc) são o ideal para prevenir depressão! Esses alimentos são ricos em nutrientes que protegem e conversam a rede de neurônios.
Diagnóstico
O diagnóstico é dado pelo médico psiquiatra, que é um especialista responsável por tratar pessoas com transtornos mentais.Na consulta, são feitos alguns testes, questionários, além de outras observações, como histórico do paciente e familiares, e a solicitação de alguns exames laboratoriais específicos para se chegar ao diagnóstico.
A depressão também pode estar associada a outros transtornos psiquiátricos e tem níveis de intensidade, pode ser leve, moderada ou grave. Cada paciente é avaliado individualmente, recebe um diagnóstico e é encaminhado para realizar um tratamento específico.
Tratamento
O tratamento é orientado pelo profissional médico psiquiatra, através de medicamentos, psicoterapia e acompanhamento terapêutico conforme a gravidade de cada caso. É fundamental que a família e os amigos apoiem o paciente nesse momento de fragilidade.
Cada paciente possui uma necessidade de suporte diferente e já existem mais de 30 antidepressivos disponíveis para realizar o tratamento. Essas medicações não deixam a pessoa eufórica e nem provocam vício. A terapia é simples e, de modo geral, não incapacita ou entorpece o paciente.
Existem também os tratamentos de manutenção e os preventivos, que podem durar anos ou a vida inteira, para evitar o aparecimento de novos episódios. A depressão pode durar dias, semanas, meses, anos ou a vida inteira. A pessoa em crise, após superar o transtorno mental também pode, a qualquer momento, sofrer com novos quadros de depressão.
- Psicoterapia:
Mediada pelo psicólogo, consiste na reestruturação psicológica do indivíduo, aumentando sua compreensão sobre o processo de depressão e na resolução de conflitos, o que diminui o impacto provocado pelo estresse. Auxilia o paciente, mas não previne novos episódios e nem cura a doença.
- Medicamentos antidepressivos:
Atuam na regulação química cerebral e é escolhido conforme cada caso, de acordo com a necessidade de cada paciente.
- Sistema Único de Saúde (SUS):
É fundamental na atenção à saúde e tratamento de pessoas com depressão e outros problemas mentais.
Disponibiliza medicamentos que auxiliam no tratamento dos pacientes com depressão, ansiedade e/ou estresse. Quando recomendado pelo médico, medicamentos (Amitriptilina, Clomipramina, Fluoxetina e Nortriptilina) podem ser retirados, gratuitamente, nas Unidades Básicas de Saúde ou nos demais estabelecimentos designados pelas secretarias de saúde dos municípios.
Os atendimentos e tratamentos para depressão são feitos, prioritariamente, na Atenção Básica, principal porta de entrada para o SUS, ou nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), onde o usuário recebe atendimento próximo da família com assistência multiprofissional e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde. Nesses locais também há possibilidade de acolhimento noturno e/ou cuidado contínuo em situações de maior complexidade, quando houver avaliação da equipe de referência para isto.
O acolhimento das pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo depressão e as necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, e seus familiares é uma estratégia de atenção fundamental para a identificação das necessidades assistenciais, alívio do sofrimento e planejamento de intervenções medicamentosas e terapêuticas, se e quando necessárias.
Está previsto que os indivíduos em situações de crise possam ser atendidos em qualquer serviço da rede de saúde. Os casos de pacientes em situação de emergência devem ser atendidos nos serviços de urgência e emergência, que também constituem a RAPS (Rede de Atenção Psicosocial). As diretrizes da política envolvem o governo federal e os estados e municípios.
Quais são os tipos de depressão?
Um episódio depressivo pode ser categorizado como leve, moderado ou grave, a depender da intensidade dos sintomas. Um indivíduo com um episódio depressivo leve por exemplo, terá dificuldades em continuar um trabalho simples e atividades sociais, mas provavelmente sem grande prejuízo no funcionamento global; enquanto em um episódio depressivo grave, é improvável que a pessoa afetada possa continuar com atividades sociais, de trabalho ou domésticas.
Ambos os tipos de depressão podem ser crônicos (ou seja, acontecem durante um período prolongado de tempo), com recaídas, especialmente se não forem tratados. Uma distinção fundamental também é feita entre depressão em pessoas que têm ou não um histórico de episódios de mania.
Tipos de depressão:
- Transtorno depressivo recorrente: Distúrbio que envolve repetidos episódios depressivos, nos quais a pessoa experimenta um humor deprimido, perda de interesse e prazer e energia reduzida, levando a uma diminuição das atividades em geral por pelo menos duas semanas. Muitos depressivos também sofrem com sintomas como ansiedade, distúrbios do sono e de apetite e podem ter sentimentos de culpa ou baixa auto-estima, falta de concentração e até mesmo aqueles que são clinicamente inexplicáveis.
- Transtorno afetivo bipolar: esse tipo de depressão na alternância entre episódios de mania (envolvem humor exaltado ou irritado, excesso de atividades, pressão de fala, auto-estima inflada e uma menor necessidade de sono, além da aceleração do pensamento) e depressivos, separados por períodos de humor normal.
Qual a importância e como pedir ajuda?
Para evitar que o quadro de tristeza evolua, levando a depressão ou até ao suicídio, é importante que caso você se identifique com a sintomatologia, peça ajuda! Postos e unidades básicas de saúde contam atualmente com equipes multiprofissionais, cujo sistema integrado permite encaminhamento para terapia com psicólogos.
Para quem precisa de ajuda imediata, existe o CVV (Centro de Valorização da Vida), que promove e proporciona apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat e voz todos os dias e horários.
A ligação para o CVV em parceria com o SUS, por meio do número 188, é gratuita a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular. Também é possível acessar www.cvv.org.br para chat.
Referências bibliográficas
Relvas J, Pestana LC, Albuquerque AJ, Paiva FM, Carraça IR, Loureiro MJ, Correia ZA. Depressão. Acta Med Port . 2001 mar-abr; 14 (2): 189-218. Reveja. Português. Disponível em: <https://www.actamedicaportuguesa.com/revista/index.php/amp/article/view/1838/1414>
Ministério da saúde. Portal do Governo brasileiro. Depressão: causas, sintomas, tratamentos, diagnóstico e prevenção. Acesso em: <http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/depressao>
Razzouk D. Por que o Brasil deveria dar prioridade ao tratamento da depressão na alocação de recursos de saúde? Epidemiol Serv Saude . 2016/10/10; 25 (4): 845-848. Acesso em: < http://www.scielo.br/pdf/ress/v25n4/2237-9622-ress-25-04-00845.pdf>

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